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sábado, 17 de setembro de 2011

Azagaia e Duas Caras actuam este sabado e domingo em Angola no “Festival de Hip Hop da Lusofonia”

A semelhança do que aconteceu na véspera da primeira tentativa de realizar-se o “Festival de Hip Hop da Lusofonia”, decidimos passar aqui alguns (des)confirmações por parte dos artistas convidados. Ao contrario da última vez, o cenário agora é bem mais animador e ao que tudo indica será dessa vez que teremos o 1° Festival de Hip Hop da Lusofonia, com representantes da maior parte dos países que têm a português como língua oficial.

Publicamos a edição do Big Show Cidade do último domingo (11 de Setembro) onde pudemos conferir a confirmação via telefone do grande Mc Moçambicano 2 Caras. Temos também os vídeos das confirmações (conferir mais abaixo) de: Marcelo D2, Azagaia, Gabriel o Pensador, Força Suprema e Halloween. Até o momento não conseguimos (des)confirmações dos restantes artistas esperados no grande evento.

Estava marcada para hoje as 17h00 no centro Aníbal de Melo, a conferencia de imprensa do festival, que segundo a produção, foi adiada devido a chegada dos artistas no mesmo horário.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Resenha do album “Na linha da frente” da G-Pro



G Pro - Na linha da frente
Ano: 2010
Género: Hip-Hop Moz / RnB
Edição: Independente
Distribuição: G Pro, A Garragem


Intro:

Quando o álbum “Na linha da frente” da Gpro saiu às ruas, em Maio, se a memória não me trai, empreendi todo esforço no sentido de, à semelhança do que fiz com Y-Not, postar em forma de resenha o meu ponto de vista. Mas, quando tudo estava escrito e quase tudo dito, eis que disco duro pifou. Aí chamei meu nigga Balta, barra nessas cenas de Informática, tentamos fazer restart, setup mas não tinha o backup, niggaz perdi o review. E assim tive que começar tudo de zero. E só agora consegui postar.

Sei que isto tudo parece sample da faixa “Disco Duro” de Trezagah mas nada disso, foi o que realmete aconteceu, perder muita informação foi o azar que tive - Imanti Kuran Xarifo!, como diz a minha mana Zuleka.

Resenha:

Depois de em 2003 ter lançado o primeiro album “Um passo em frente”, a Giants Produções ou simplesmente G Pro finalmente está de volta ao mercado com “Na linha da frente”, nas ruas de Maputo e do mundo desde Maio. Neste álbum o grupo do manager Djo que em 2000, ano de sua criação, integrava os rappers Duas Caras e Sem Paus (também produtor) apresenta-se agora com um elenco diferente com os rappers Duas Caras e Trezagah e ainda o cantor e produtor G2.

Com 15 magníficas faixas principais e 3 faixas bónus, “Na linha da frente” é um álbum visivelmente dominado por G2. O cantor, que pelo uso excessivo do vocoder, efeito de voz conhecido entre nós como txuna voz, é também conhecido como a versão moçambicana do norte-americano T-Pain aka O Rapper Que Se Tornou Cantor, para além de se encarregar pela produção do álbum, cantou a maior parte dos temas e fez os coros para os temas de Duas e Trez. Essa estratégia valeu ao grupo o inegável sucesso comercial que o grupo vem tendo desde o lançamento dos singles de avanço “Karaboss” e “Punchline”, que para além de serem fortemente rodados em todos chapas, estações de rádio e televisão, são igualmente os mais usados como tocknices e ringtones nos telefones celulares (se quizer confirmar faça como G2 recomenda: “nigga pergunte a tua shortie qual é o ringtone dela” ). Porém, a mesma estratégia, ou melhor, o novo estilo da G Pro, muito RnB tanto na sonoridade como no conteúdo, deixa um pouco a desejar, principalmente para quem esperava de Duas Caras e Trezagah um hip-hop de linha dura, tipo “De volta a casa” e “Bangalala” ambos produzidos e bem produzidos por Sem Paus (E aí Sem Paus, será que você volta à G Pro?).

A maioria das faixas, dominadas por G2, conforme ficou dito, fala de amor. Aborda-se também a questão das habilidades de cada um, do motivo que os levou o grupo mudar de estilo, enfim, quase tudo aquilo que se espera de um álbum de Rap moderno. O tema mais surpreendente, mais diferente, mais profundo e mais sem adjectivos para qualificá-lo, é sem sombras de dúvida o semi-acústico “Sinais dos tempos” de Duas Caras (com G2 e Mimae), tanto o rapper como o produtor estiveram no seu melhor, é mesmo uma jóia de música, sempre que escuto este tema fico sem sabrer o que fazer (no homo) (Oh Duas, faça mais disto méu, tu podes!)

Este disco conta com participaçãoes internacionais de Valete e Sam The Kid (Portugal) e Mister K (Angola). Quanto às participações nacionais, para além das vozes excepcionais das cantoras Julie e Mimae, a escolha recaiu sobre Kloro, Lay Low, Sem Paus, Suky e Turaz, todos, excepto Sem Paus, rappers da nova escola. Esta selecção deveu-se provavelmente ao impacto comercial que se pretende que o álbum tenha mas, há que diga que Duas e Trez chamaram putos para dar a entender que eles é que são os melhores do Hip-Hop Moz, tese que seria difícil defender se tivessem chamado rappers veteranos (será?).

Bom. Diga-se o que se disser, a verdade é que “Na linha da frente” ficará gravado na história da nossa música como o álbum que levou Hip-Hop Moz à um outro nível de qualidade, podendo concorrer em pé de igualdade com qualquer disco editado por qualquer editora internacional.

Lista de músicas:
1. Intro
2. G Pro – Punchline
3. G Pro – G.P.R.O. (com Valete)
4. Trezagah – Disco duro
5. Duas Caras – SMS (com G2)
6. G2 – Amor e drama
7. Duas Caras – Karaboss (Remix) (com G2, Kloro, Sam The Kid, Mister K, Lay Low, Trezagah, Valete, Sem Paus, Suky)
8. G2 – Mulher ideal
9. Trezagah – Amor sem limites (com G2)
10. G2 – Deixa te levar (com Turaz)
11. Trezagah – Meu estilo (com Julie)
12. G2 – Quero uma friend (com Trezagah)
13. G2 – Mais bass
14. G2 – Especial (com Mimae)
15. Duas Caras – Sinais dos tempos (com G2 e Mimae)
16. G Pro – Africa Remix (Bonus track)
17. Duas Caras – Cara Cara (Bonus track)
18. Duas Caras – Karaboss (Bonus track)

Classificação: 6/10
Favorita: “Sinais dos tempos” - Duas Caras (com G2 e Mimae)

fonte: magus delirio

Resenha do album “O vento sopra do Norte” de Coldman



Coldman - O vento sopra do Norte
Ano: 2010
Género: Hip-Hop Moz
Edição: Independente
Distribuição: Djonkada Produções, A Garragem

Intro:

No início dos anos 90, nasceu na Costa Oeste dos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angels, Califórnia, um género de Hip-Hop, que buscava inspiração rítmica nos grandes nomes da música Funk e que veio a ser conhecido por Ghetto Funk, ou simplesmente, G Funk. Muito mais que um género musical, o G Funk, foi um movimento musical com uma aceitação comercial razoável, comparado a outros géneros desenvolvidos na época, que eram considerados demasiado “Underground”. Deste movimento destacaram-se rappers como Dr Dre (também produtor e por muitos considerado o pai do G Funk), Snoop Dogg ou Warren G, que embora abordassem temas ‘aparentemente’ banais como festas, carros, mulheres, álcool, drogas e violência, muito rapidamente se impuseram no cenário Hip-Hop em todos cantos do mundo, incluindo Moçambique, motivando o surgimento de vários grupos de Rap. Foi exactamente por estas alturas que começou o minha paixão desmedida pela cultura Hip-Hop, daí a minha paixão pela música e pelo flow de Coldman (no homo).

Resenha:

O Hip-Hop nacional soma e segue, e desta feita ‘às custas’ do rapper Coldman, que recentemente colocou nas bancas o seu álbum de estreia “O vento sopra do Norte”, cujo o título foi inspirado no filme homónomo - a primeira longa metragem produzida em Moçambique (ou mais ou menos isso).

Em “O vento sopra do Norte”, o rapper de Nampula, que em 2005 ganhou o prémio de melhor colaboração musical (Hip-Hop Time/ Rádio Cidade) juntamente com o Shackal com a música "de Nampula à Maputo", tras-nos de volta o género G Funk, desta vez mais melódico, mais evoluído e mais apaixonante, em 16 faixas clássicas produzidas maioritariamente por DMG.

Liricamente falando, neste CD, Coldman aka O Farol de Nampula finge ser romântico, em “É contigo...”, por sinal o mais bonito e recomendável do álbum (pitas confirmem!) e também cumpre com o seu palpel de rapper consciente nas faixas “As ruas estão criando monstros”, “Proteja-te”, “Quando eu morrer” e “Redenção”. Mas é nas restantes faixas onde nos leva de volta à era G Funk, pois é nestas onde, com o seu ‘flow’ calmo, nua e cruamente, aborda temas característicos deste género de Rap, tais como: o abuso do sexo, o consumo excessivo de álcool e drogas (drogas nem tanto), festas, a arte de ser repista e, claro, um hino à sua terra natal. É no meio destas faixas, também, onde o criativo Coldman trás-nos um novo vocábulo: Djonkada, vocábulo esse que, ao que tudo indica, Cold pretende que substitua ou sirva de alternativa ao termo bebedeira - oxalá pegue!

Para além de DMG, “O vento sopra do Norte”, conta, também, com a produção de Real Vice, Kilograma, El Puto, Mr Dino e 7 Kruzes, e com participações vocais de Real Vice & Odeth, Ice Blackstyle & MZ, Pitchó & Mimãe, 7 Kruzes, Shackal, Tira-Teimas, K-Real, Rage & Sick Brain. Um elenco de luxo que faz deste CD um dos mais (se não o mais) bem concebido disco de Hip-Hop moçambicano de sempre, para ouvir e repetir da abertura ao fecho, e indispensável para todo bom coleccionador de música feita em Moçambique.

Lista de músicas:
1. Abertura (prod por DMG)
2. Triunfei (prod por Real Vice)
3. É contigo... feat. DMG, Real Vice & Odeth (prod por DMG)
4. Djonkada (prod por Kilograma)
5. As ruas estão criando monstros (prod por DMG)
6. Nampula feat. Ice Blackstyle & MZ (prod por DMG)
7. O dia tá fixe feat. Pitchó & Mimãe (prod por DMG)
8. Proteja-te (prod por DMG)
9. Sou 1 repista até morrer (prod por El Puto)
10. Comigo no motel (prod por DMG)
11. Quando eu morrer (prod por Mr Dino)
12. Djonkada (Parte II) (prod por DMG)
13. Modus vivendi modus operandi (prod por DMG)
14. Redenção (prod por DMG)
15. Assalto lírico feat. 7 Kruzes, Shackal, Tira-Teimas, K-Real, Rage & Sick Brain (prod por 7 Kruzes)
16. Fecho (prod por DMG)

Classificação: 7/10
Favorita: “Quando eu morrer” (prod por Mr Dino)

fonte: magus delirio

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Resenha álbum “As últimas palavras” de Yazalde Yazalde aka Y-Not



Artista: Yazalde Yazalde aka Y-Not

Album: As últimas palavras

Edição: pessoal

Ano: 2010

Distribuição: A Garagem, Mak da P, Cotonete Records, Beat Masters Studio


Se existe Hip-Hop consciente, com certeza existe também Hip-Hop incosciente. E se ambos existem, então com certeza ambos estão contidos neste duplo CD do auto intitulado “The Rap Legend” Yazalde Yazalde aliás Y-Not. Álbum este que marca o fecho do seu longo percurso no Hip-Hop, iniciado no já longiquo ano de 1992.

Neste seu mais recente, precedido por “Tudo se vende, tudo se compra”, que em 200........ foi considerado o melhor album do ano, pelo mano Kanino no seu SangueMoz, o versátil Y-Not mostra uma vertente consciente ao abordar em alguns temas factos que nos obrigam a meter a mão na coinsciência, ou seja, a examinar atentamente os nossos actos ou sentimentos, falo de temas como “Os filhos que Deus me deu”, “Quando o amor se vai” e “As últimas palavras”. E outra incosciente, não por dizer ou usar levianamente as palavras, mas sim pela capacidade de nos fazer transpor a barreira do consciente e do lógico, do real e do óbvio em temas como “As datas de morte”, onde o rapper lê um livro escrito há 100 mil anos, no qual estão reveladas as datas de morte de algumas figuras públicas dentre elas Dama do Bling, Guebuza e Stewart, Fidel Castro, Bonga e o Papa,“Sentimentos de um cadáver”, sobre o que uma pessoa sente quando vai a enterrar e “Fantasias sexuais”, em que se imagina na cama com mulheres como a Primeira Dama, Helena Taípo ou Madre Teresa de Calcutá.

Para alé do consciente e do incosciente Y-Not encontra ainda tempo para trazer à superfície alguns momentos amargos da nossa História em “O tempo que passou”, ser actor e vestir a pele de uma mulher que se vê obrigada a viver da prostituição (A carta da mana Xica), de um recluso vítima de violência física e (homo)sexual (Prisioneiro 46664) e de um artista que decide disistir da sua vida (Eu vou me suicidar). E, como no seu disco anterior, volta a repar sobre Deus e Jesús em “Se Jesus voltasse agora” e “Se Adão não fudesse a Eva” e sobre outros mais temas muito pouco abordados que fazem de “As últimas palavras” um album fora do vulgar. Não fosse a quantidade exagerada de palavrões poderia até se ouvir em família ou em público, pois Y-Not e seus convidados repam de uma forma tão clara, directa e tão sem rodeios, o que faz da sua mensagem incisiva um instrumento eficaz para qualquer um de nós reavaliar a sua maneira de ser e estar na sociedade.


Quanto à instrumentalização Y-Not contou com a colaboração de vários produtores do circuito Hip-Hop, dando a este álbum muita diversidade de linha de produção sem, no entanto, comprometer o estilo único e original a que o rapper nos habituou. São eles: Scam, Mya, Baba X, Lams, Dj Nene, Mak da P, Fechadura, No Blast, Gringo, Drifa, Kay Kay, El Puto e ainda do guitarista Leo, que também contribui com um tostão da sua voz na balada que dá título ao álbum.

Pra além de Leo, o album contou ainda com as vozes de Janeiro, Tira teimas, J. Duarte, Anna Flor (DEP), Izlo H, C. B. Fat, A. Crisanto, 4 Ases, Azagaia e Stupa Serious, bem como de Demo, Drifa e Fechadura, membros do grupo Náuseas do qual Y-Not faz parte.

Como vês, “As últimas palavras” tem tudo e mais alguma coisa para dar certo. Se fosse a ti corria já pra a Garragem, comprava o cd, em três lotes: um pra ouvir, outro pra emprestar aos amigos e o terceiro para pôr num pedestral, ajoelhar, erguer as mão pra o céu e, sem receio receio, gritar: Pai me perdoe mas eu adoro o Hip-Hop!


Lista de músicas:

Volume I

  1. Intro (misturado por Scam)
  2. Certificado de fidelidade ft Janeiro (prod por Mya)
  3. O meu testamento ft Tira Teimas (prod por Baba X)
  4. Os filhos que Deus me deu ft J. Duarte (prod por Lams)
  5. Eu sou o rapper (prod por Dj Nene)
  6. Quando o amor se vai ft Anna Flor (prod por Mya)
  7. As datas de morte (prod por Mak da P)
  8. Mein Kampf (prod por Fechadura)
  9. Sentimentos de um cadáver (prod por No Blast)
  10. Eu vou me suicidar feat Izlo H (prod por Mak da P)
  11. A carta da mana Xica (prod por Gringo)
  12. Se eu lesse teus pensamentos ft Náuseas (prod por Fechadura)

Volume II

  1. Intro (prod por No Blast)
  2. Prisioneiro 46664 ft Anna Flor (prod por Dj Nene)
  3. Tu mereces alguém melhor (prod por Drifa)
  4. Se Jesus voltasse agora ft Demo & Drifa (prod por Scam)
  5. Incesto (prod por Scam)
  6. Se Adão não fudesse a Eva ft Fechadura (prod por Gringo)
  7. As últimas palavras ft Leo (prod por Leo)
  8. Fantasias sexuais ft C. B. Fat (prod por Kay Kay)
  9. O tempo que passou (prod por Drifa)
  10. Para não dizer que não falei de amor (prod por El Puto)
  11. Ferramentas de trabalho (prod por Drifa)
  12. Um covarde vivo, um herói morto ft 4 Ases, Azagaia & Stupa Serious (prod por Fechadura)


Favorita: Eu vou me suicidar feat Izlo H (prod por Mak da P)

Classificação: 9/10.


Fonte: http://magusdelirio.blogspot.com/